Um dos destinos americanos mais visitados pelos brasileiros, Miami é para muitos turistas um sinônimo de praia e shopping. O balneário na Flórida, no entanto, oferece uma variedade de atrações culturais para o viajante que não tem dólares sobrando para ir às compras nem vê sentido em passar toda a viagem encarando um mar que, apesar de bonito, não está à altura daquele do Caribe ou até do Nordeste brasileiro.
Veja, a seguir, dicas e um roteiro para experimentar em três dias o melhor que Miami tem a oferecer.
Dia 1
Esqueça os arranha-céus. O primeiro dia desta viagem é para explorar o caldeirão cultural que é um dos pilares formadores de Miami, a começar pela comunidade cubana que se instalou na cidade na década de 1960, a Little Havana, ou pequena Havana.
Não exagere no café da manhã do hotel, porque o que mais tem por lá é comida. A dica é passar toda a manhã caminhando pelas ruas charmosas de casas baixinhas, com fachadas coloridas, num tour gastronômico que pode contemplar do café da manhã ao almoço.
Comece no El Cristo Restaurant experimentando o “cafecito” —um espresso menor, mais concentrado e mais doce do que aquele que tomamos no Brasil— e siga com os pasteis cubanos —menores e assados. Outra parada imperdível é o Palacio de los Jugos, que oferece sucos feitos de misturas inusitadas, mas saborosas, como a de abacaxi com melancia, um ótimo refresco entre uma refeição e outra. Para encerrar, almoce no Old’s Havana—a dica é o sanduíche El Guapo, feito de carne suína, e o mojito, que leva um pedacinho de cana-de-açúcar; de sobremesa, o tradicional churros cubano.
Em geral, as porções de petiscos custam de US$ 5 a US$ 10 (de R$ 28 a R$ 57), enquanto os pratos variam de US$ 15 a US$ 20 (de R$ 85 a R$113), o que faz de Little Havana um lugar barato para comer em Miami.
Depois do almoço, pertinho dali está outro museu que vale visitar, o Vizcaya, construído para ser a residência de inverno de um magnata dos setores agrícola e imobiliário há pouco mais de cem anos. A visita custa US$ 25 (R$ 142) para adultos. Por ali, a sensação é de que não estamos em Miami. Sem os prédios espelhados, o que prevalece é a elegância de um palácio construído a partir de uma mistura singular de traços arquitetônicos renascentistas, com material vindo da Itália, mas também sob a influência de movimentos como o barroco e as belas artes.
A dica é não se limitar ao interior do palácio. Seus jardins, que lembram o de Versalhes, oferecem belas fotografias, e a brisa vinda da baía de Biscayne é convidativa para um café no fim da tarde, admirando o pôr do sol.
Dia 2
Comece com uma visita ao Pérez Art Museum, voltado a modernistas das Américas e da África com obras sobre as diásporas que marcaram o mundo. É o caso do brasileiro Paulo Nazareth, que ficou conhecido por ir a pé da periferia de Minas Gerais a Miami, nos anos 2000, com a performance “Notícias da América”, na qual produziu desenhos, fotografias e gravuras dessa jornada de um ano.
O museu abriga ainda os trabalhos de Rubem Valentim, que pinta de forma geométrica os símbolos das religiões de matriz africana, e de Beatriz Milhazes, a artista viva mais cara do país, com sua interpretação feérica do Carnaval. É possível conhecer esse acervo em tours guiados gratuitos, em inglês ou espanhol, mas vale prestar atenção nas exposições temporárias. O ingresso custa US$ 18 (R$ 102).
À tarde, vá a Wynwood, bairro cheio de galpões industriais que já foi considerado um dos mais perigosos de Miami, mas nas últimas décadas tem sido revitalizado e hoje abriga uma das maiores coleções de grafite do mundo, que atrai nomes centrais da arte de rua de todos os cantos, entre eles os brasileiros Osgêmeos.
Depois de almoçar numa lanchonete ou cervejaria, que se proliferam no bairro, é possível caminhar pelas ruas no seu próprio ritmo, para ver os murais, ou fazer um tour num carrinho de golfe. O passeio, que custa em torno de US$ 40 (R$ 227), é feito por guias que dão uma verdadeira aula sobre grafite e explicam a trajetória daqueles artistas, que brigam entre si e transformam o espaço a cada dia, de forma que nenhuma visita será igual à anterior.
Se gostar do que viu, vá ainda ao museu do grafite, o Wynwood Walls, que tem entrada por US$ 12 (R$ 68). Essa é também uma alternativa para quem não deseja passear pelas ruas, mas ali se vê trabalhos mais polidos, algo que não reflete toda a potência da arte de rua.
Dia 3
O último dia é reservado para o que há de mais tradicional em Miami. Para compras, uma opção é o outlet Dolphin Mall, menos luxuoso que outlets como o Bal Harbour e o Aventura Mall, mas muito completo, com 240 lojas que oferecem desconto progressivo nas compras. É uma boa alternativa para quem deseja comprar em quantidade.
Já para quem procura itens específicos, o Brickell City Centre é um shopping mais aos moldes do que temos no Brasil, que tem ainda bons restaurantes para um almoço casual, como o The Henry.
À tarde, é hora de ir à praia. A mais famosa é a de South Beach, com clima mais vibrante e uma série de restaurantes e bares à beira-mar, a exemplo da mansão Versace, onde vivia Gianni Versace —aliás, não deixe de fazer uma reserva, caso queira visitá-la. Mas há ainda a Lummus Park Beach, cenário de filmes e séries, e a Mid-Beach, que junto com a North Beach são as mais tranquilas da cidade, onde raramente são encontradas multidões.
Hospedagem e transporte
Para conhecer as atrações culturais, é melhor se hospedar em Downtown Miami, mas, se você não abre mão de acordar com vista para a praia, a Ocean Drive, avenida central de Miami Beach com hotéis no estilo art déco à beira-mar, é uma opção confortável —e mais cara.
De qualquer forma, é difícil conhecer a cidade sem um carro, já que o transporte público não chega a todos os lugares e é demorado. Uma alternativa para quem não deseja dirigir são os aplicativos como Uber e InDrive, mas as corridas ultrapassam facilmente as centenas de reais.
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