Lar Turismo Bariloche: conheça a casa-museu da marca Patagonia – 02/04/2025 – Turismo
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Bariloche: conheça a casa-museu da marca Patagonia – 02/04/2025 – Turismo


É uma pequenina e aconchegante casa de madeira de dois andares, rodeada por um belo jardim, no coração de Bariloche. Quem caminha desatento –ou hipnotizado pela imensidão do lago Nahuel Huapi e das montanhas, logo no horizonte da propriedade– pode não entender o tesouro histórico que há ali dentro. E de graça.

“Los Cipreses”, como era conhecida essa propriedade devido à madeira dos ciprestes patagônicos usada na construção, foi a casa de Emilio Frey (1872-1964). Explorador e topógrafo, ele foi responsável pelos primeiros mapas da região e por liderar expedições que definiram as fronteiras com o Chile, pauta até hoje espinhosa.

Foi também prefeito de Bariloche e ocupou outros cargos públicos, mas seu perfil era tão discreto e avesso aos holofotes que não é um nome estudado nas escolas, como num simbólico lembrete que nem todos os fazedores da história estão nas páginas de papel. É mais um personagem conhecido no boca a boca por sua dedicação à Patagônia, esse patrimônio natural cada vez mais ameaçado pelos incêndios.

Agora, Emilio Frey virou protagonista de uma casa-museu.

Suas bisnetas decidiram vender a Los Cipreses após muitas passagens geracionais desde que ele começou a construir a propriedade em 1916, quando Bariloche era uma enxuta cidade com 200 casinhas, bem distante do destino turístico que se tornou. Nos últimos anos a propriedade mal podia ser vista dado o amontoado de vegetação que se acumulava desordenadamente na frente da casa.

Depois de ofertas de redes hoteleiras que as desanimavam por imaginar a estrutura sendo colocada abaixo, enfim as herdeiras encontraram uma proposta com mais propósito.

A família vendeu a propriedade à gigante de roupas Patagonia, do bilionário ambientalista, escalador e empresário (ainda que ele odeie este último adjetivo) Yvon Chouinard, 86, que em 2022 anunciou a doação das ações de sua empresa, então avaliadas em US$ 3 bilhões, para o combate à emergência climática.

Neste mesmo sentido, a Patagonia prometeu restaurar o espaço respeitando suas origens e, principalmente, o meio ambiente. Parecia um perfeito match com as origens da família Frey.

Em dois anos de reformas, a turma de arquitetos contratada pela empresa restaurou toda a propriedade e o jardim. Tudo que há ali é original. Os carpinteiros e os artesãos que trabalhavam são de Bariloche. A enorme maioria dos móveis e até mesmo os caixotes que serviam como mala de viagem para Frey foram reaproveitados.

O local agora funciona como uma casa-museu que conta a história de Frey e que comporta mais uma unidade da loja Patagonia. No amplo jardim em frente, há aulas de yoga e estros esportes e apresentações de projetos culturais. O espaço é aberto e de acesso gratuito.

A obra contribuiu também para a preservação e divulgação histórica. Como parte da decoração da casa estão dispostas cópias de várias das cartografias da Patagônia feitas por Frey, todo um material que até há poucos meses estava parado nos arquivos do museu local, sem ser digitalizado ou disponibilizado ao público.

A casa-museu, ou Casa Frey, é uma boa escolha para um dos dias de viagem a Bariloche, esse destino que atrai os brasileiros nos meses de inverno, mas que tem uma riqueza natural ao longo de todo o ano. Roupas da marca Patagonia com avarias também podem ser levadas até o posto de costura da casa-museu onde é possível consertá-las e ainda ganhar uma customização para lembrar da viagem.

É outono quando a reportagem chega à cidade. As temperaturas não são tão extremas, e ainda se pode caminhar sem sentir as pontas dos dedos e do nariz congelarem. A neve tão buscada pelos brasileiros não está ali, mas a paisagem nada deixa de ser hipnotizante.

Como diz um escalador local em uma excursão, Bariloche confere um sentimento de pequenez diante da imensidão de suas montanhas e de sua vegetação, mas, ao mesmo tempo, um lembrete da importância que cada um tem e sua preservação.

Em meses fora da temporada alta, é possível pescar (e há abundância de peixes, para não frustrar o iniciante) e também fazer trekking nas inúmeras montanhas locais, com níveis de dificuldade diferentes. Sapatos e roupas apropriadas são fundamentais. O instrutor anuncia que a trilha acompanhada pela reportagem é uma versão light, nível de dificuldade básico. Há divergências na avaliação.

Diante de uma queda histórica no turismo de brasileiros rumo à argentina devido à alta nos preços no país, as companhias aéreas ampliaram a oferta de voos diretos e promocionais rumo a Bariloche e outros destinos domésticos na tentativa de atrair mais a nacionalidade conhecida como uma das principais amantes da Patagônia argentina.

Casa Frey

Av. Bustillo, km 1,5; Bariloche, província de Río Negro, Argentina

Aberta de segunda a domingo, das 10h às 21h



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